domingo, 13 de março de 2011

Ano velho

É dia trinta e um de dezembro ou mesmo dia vinte e quatro de dezembro, natal ou ano-novo, não sei mais. Ligo a TV e apenas sei que é fim de ano - o tédio destruiu minha noção de tempo.

Ligo a TV e um cheiro nauseante e nauzeabundo de morte e podridão se alastra por todo meu quarto, fedendo a urinol ordinário.

Começo a vomitar quando vejo o anúncio do próximo Fantástico que passara no domingo seguinte primeiro do ano de 2037.

Permaneço vomitando quando inicia o especial da Xuxa (coitada mal consegue ficar de pé de tão repuxada que está, os pés chegaram à altura da cabeça – milagres da plástica).

Meu estômago se esvazia e convulsiono em seu vácuo ao ver no primeiro comercial que no dia seguinte terei de assistir ao milésimo especial de Roberto Carlos.

Tento desviar da TV, mas tudo que vejo é um Papai Noel no outro lado do quarto me olhando demoniacamente e se rindo do meu destino cretino.

As paredes do meu quarto estão prestes a cair.

O tédio corroeu todos os alicerces da minha vida.

A repetição é uma maldição da qual não consigo me livrar.

Sinto a náusea e um cheiro fétido de podridão.

A repetição é morte. E tudo que morre, apodrece.