Não sei precisar o momento exato em que o giz, esfarelado, tornou-se pó, esbranquiçado. A forma fálica, capturada pelos dedos da professora, escrevia, escrevia, e escrevia no quadro. A professora fungava. Reclamava. Detestava o giz. Talvez ela colocasse a forma fálica excessivamente perto do nariz, atacando-lhe algo. Fungava. De vez em quando espirrava.
Eu, sempre sentado na primeira fileira. Perto do giz que se transformava
Ela fungava e me fitava. A professora devia ter sua volúpia, peitos grandes. Peitos não me interessavam. O que me excitava era o que estava entre seus dedos – aquela forma cilíndrica que me conduziria ao pó; conduziria o pó até mim.
Aquilo que haveria de despertar minha luz interior, não os peitos da professora. Seus peitos de nada serviam para mim, e ela sabia disso. Seduzia-me com aquilo que eu desejava, fazia esfarelar-se na minha frente. Regozijava-se em me torturar. Em pouco tempo parecia vidrada, seus olhos mal fechavam e diziam-me que era a minha vez. Todo aquele texto cheio de moralidades criara um depósito de pó ao longo do patamar do quadro. O pó que se desprendera do texto, do giz, era o que eu desejava. Num ímpeto, por ter percebido que eu havia descoberto a farsa de que tudo aquilo se tratava, a professora soprou o patamar e o pó inundou-me o rosto. “Toma, se é isso que desejas, cú-de-ferro”.
Uma excitação tomou conta de mim. Finalmente o que eu mais desejava era meu. A luz interior estava acesa. Sentia-me preencher-me pela luz, gradualmente, e meu corpo recuperava as partes antes amputadas pelo texto. Meus olhos abertos, vidrados, tentavam capturar todos os conceitos e aforismos que saltavam de minha cabeça, como máquinas desgovernadas. Meu cérebro pensava os pensamentos mais brilhantes que nunca antes pensara. Tudo repentinamente fazia sentido. O mistério do mundo não era mais mistério. Eu havia matado a charada e, justamente por isso, eu era melhor que todos os idiotas que estavam sentados naquela sala, até mesmo melhor que a professora. Meus olhos, vidrados, tingiam-se de vermelho e inalavam todo o texto que a professora escrevera. Inalar era o que me habilitava a expirá-lo.
Mas qualquer coisa de repente estava errada. Fiquei apreensivo. Uma coisa me escapava. Tudo me escapava. As idéias me abandonavam. Para onde estavam indo? A luz se enfraquecia e eu percebia que estava me esvaziando, novamente.
Olhei em súplica para a professora. Ela, em nítido desdém, virou as costas para mim e passou a apagar o quadro. A minha mente em branco, vazia. Fiquei ali parado, perplexo, assistindo as palavras se desintegrarem na lousa. Entendi que somente me restava esperar pelo próximo texto cheio de moralidades. E inalar todas suas imoralidades.
NAO NAO NAO! CHEGA DE MORALIDADES!
ResponderExcluirPASSAMOS DIRETAMENTE AO PO!
O GIZ TBM SEMPRE ME ATRAIU SABE, NAO SEI PQ ¬¬
C A P E T A!!!
ResponderExcluirPenso em mim nesse texto né, vai diz q ñ?
rsrsrsrsrsr
AMO-TE!
Mas nem parece que bebeu um ano de humanismo...adorei :D
ResponderExcluirbjinhus
Quero um teco desse giz a-go-ra! ;)
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