É dia trinta e um de dezembro ou mesmo dia vinte e quatro de dezembro, natal ou ano-novo, não sei mais. Ligo a TV e apenas sei que é fim de ano - o tédio destruiu minha noção de tempo.
Ligo a TV e um cheiro nauseante e nauzeabundo de morte e podridão se alastra por todo meu quarto, fedendo a urinol ordinário.
Começo a vomitar quando vejo o anúncio do próximo Fantástico que passara no domingo seguinte primeiro do ano de 2037.
Permaneço vomitando quando inicia o especial da Xuxa (coitada mal consegue ficar de pé de tão repuxada que está, os pés chegaram à altura da cabeça – milagres da plástica).
Meu estômago se esvazia e convulsiono em seu vácuo ao ver no primeiro comercial que no dia seguinte terei de assistir ao milésimo especial de Roberto Carlos.
Tento desviar da TV, mas tudo que vejo é um Papai Noel no outro lado do quarto me olhando demoniacamente e se rindo do meu destino cretino.
As paredes do meu quarto estão prestes a cair.
O tédio corroeu todos os alicerces da minha vida.
A repetição é uma maldição da qual não consigo me livrar.
Sinto a náusea e um cheiro fétido de podridão.
A repetição é morte. E tudo que morre, apodrece.
Credo! Coisa mais esquisita! Tá pirando com teus pacientes? Rsrs...Bom, certamente eu não estarei mais aqui para saber como estarão as coisas em 2037. Mas espero que bem melhores que este teu relato. Bzzz!!!
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